quinta-feira, 21 de junho de 2012

Gostaria de colocar a minha opnião!

Ouvi outro dia do meu chefe que ele gostaria de colocar a sua opinião e isso ficou na minha cabeça.... Creio que opniões não se colocam! Opniões são expostas ou dadas. Há também quem gosta de, ao final de um discurso, fazer uma colocação em vez de fazer uma exposição, que é muito mais coerente e elegante. Então, o correto seria dizer: Gostaria de expor minha opinião ou Gostaria de dar minha opinião.

Abraços,
Frederico.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Voltei!

Depois que vi uns comentários sobre as postagens no blog..... resolvi voltar a escrever.... com sono e tudo mais :)

Então relevem os equivocos da digitação.., estou quase caindo sobre o teclado, mas postarei semanalmente!!!!!

Beijos para todos!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Perspectivas na formação do professor de português como segunda língua.

Resumo do texto:

GRANNIER, Daniele Marcelle. Perspectivas na formação do professor de português como segunda língua. UNB

As concepções dos conceitos que diferenciam o ensino de língua estrangeira e ensino de segunda língua deve ser um dos fatores importantes para a formação do profissional de educação de língua. As variáveis que provocam a diferença entre os dois ensinos estão nas considerações das situações de ensino/aprendizagem e deve levar em conta a situação dos estudantes, suas características e interesses.  

O perfil do professor de português como língua nova deve ter como foco a (1) especialidade em língua português para possuir consciência das diferenças existentes entre a oralidade e escrita, (2) especialidade em aquisição de uma segunda língua para compreender quando é tempo de falar e calar e (3) especialidade em ensino/aprendizagem de uma segunda língua, pois acima de tudo é importante saber os elementos que permitirão desenvolver o seu trabalho.

A formação deste profissional só foi inclusa como ensino superior em 1998 pela Universidade de Brasília. Anteriormente os profissionais deveriam ser autodidatas transferindo seus conhecimentos de professores de língua estrangeira para o português ou vice-versa. A licenciatura em português do Brasil como segunda língua deve ser pautada na variedade cultural dentro do Brasil, assim como a variedade linguística e cultura dos países luso-falantes, além de proporcionar ao futuro professor as experiências como aprendiz de segunda língua para que sejam construídas bases de reflexões acerca da relação ensino/aprendizagem.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O Rebelde

Um Anjo em fúria qual uma águia cai do céu, Segura, a garra adunca, os cabelos do ateu
E, sacudindo-o, diz: "À regra serás fiel!"
(Sou teu Anjo guardião, não sabias?) És meu!

Pois é preciso amar, sorrindo à pior desgraça,
O perverso, o aleijado, o mendigo, o boçal,
Para que estendas a Jesus, quando ele passa,
Com tua caridade um tapete triunfal.

Eis o amor! Antes que a alma tenhas em ruínas,
Teu êxtase reaviva à glória e à luz divinas;
Esta é a Volúpia dos encantos Celestiais!"
E o Anjo, que a um tempo nos exalta e nos lamenta,

Com punhos de gigante o anátema atormenta;
Mas o ímpio sempre diz: "Não serei teu jamais!"

domingo, 4 de julho de 2010

Origens da Linguagem

Em meio à discussão sobre quem nós somos, de onde viemos e para onde vamos, o livro “Origens da Linguagem” é uma ótima opção para aqueles que desejam descobrir ou pensar acerca da língua. Formada em filosofia pela Universitá La Sapienza (Itália), a Dr. Bruna Franchetto em conjunto com a Doutora em linguistica Yonne Leite nos convida à uma viagem reflexiva sobre o processo de aquisição da linguagem pelos homens. Em seus 12 tópicos, o livro apresenta a trajetória da construção do saber humano sobre a comunicação entre seres.


Em resumo, “Origens da Linguagem” é uma obra que retorna ao cenário linguístico após alguns anos de ostracismo nos conduzindo às nossas origens, ou pelo menos ao pensamento de nossas raízes. Um pensar sobre a velocidade em que surgem novas teorias e todas as controvérsias que agitam as sucessivas e velozes mudanças culturais.

Dividido em 12 tópicos “Origens da Linguagem” apresenta, em uma linguagem clara e didática, a trajetória do pensar humano sobre a aquisição da língua, ou podemos dizer da nossa necessidade em nos comunicarmos. No inicio pensávamos que a linguagem fosse um dom dado por Deus (e talvez até seja) e que aprendíamos a falar por pura imitação, fato esse já relatado por Aristóteles. Imitamos o som e desenvolvemos a comunicação, mas foi na Grécia que a linguagem associou-se à razão.

Entretanto a discussão levantada pelas autoras nos provoca uma eclosão de pensamentos acerca dos tempos remotos da Roma Medieval, e não somente uma reflexão da divindade da aquisição da língua. Dessa forma é fácil compreender que o uso da palavra sempre fora utilizada como divisão de poder na sociedade e naquela época era um fato explicito. O interessante é refletir sobre o uso autoritário da linguagem oral em nossa atualidade, haja vista que tal situação ainda é vivenciada, principalmente nas relações em que envolvem comunicantes de níveis sociais diferenciados.

Outro ponto importante, levantado pelas autoras, é o encontro das diversas culturas e a forma como as mudanças sociais e políticas influenciam na modificação da fala humana. Antes havia o grego, depois o latim, depois as línguas românicas e assim uma influenciava outra em um processo continuo de aculturação.

“As mudanças sociais e políticas que se operaram como o reconhecimento de outros mundos tiveram consequências diretas nos caminhos da linguística, que se tornaram mais numeroso e complexos”

No excerto acima verificamos a preocupação em relatar o renascimento das letras e indicar o processo indo-europeu de formação da linguagem. Aliás o estudo é mais complexo e robusto quando falamos as teorias evolutivas. Nos tópicos/capítulos À procura da primeira língua e A teoria da evolução nos deparamos com o caráter da evolução dos animais com grande ênfase no homem.

A questão central são as reflexões que fazemos ao longo da leitura, quando ocorreu a bipedia e encafalização? Por que somente nós falamos palavras articuladas? O que nos diferencia de outros animais? Perguntas como estas são amplamente levantadas no tópico/capítulo a origem da linguagem: uma agenda aberto.

Não deixa de ser um livro atraente, embora designado para poucos: os que realmente desejam engajar no conhecimento linguístico histórico de nossa sociedade, com o saudoso resquício e a pureza da arte não-comercial. Também se destina para os admiradores das escritoras, pelos minuciosos detalhes nos dado ao longo das páginas de coesão e riqueza de fatos. E, finalmente, também é feito para os leigos, ávidos por conhecer mais do que curiosidades sobre a diva. Para estes, e para todos nós, é preciso aprender um pouco mais sobre o que diz o saber linguístico que percorre em nossa mente.

A Máscara de Betatron - Ensaio sobre as múltiplas personalidades humanas presente no conto “Corações Solitários” de Rubem Fonseca.

Sempre nos escondemos atrás de alguma coisa. Pode ser muito trabalho, pode ser pouca diversão, pode ser pelo fato de não querermos que os outros conversem conosco. O fato é que todos se escondem. “Minha vida é um livro aberto” é a frase de efeito usada por todos aqueles que afirmam não possuírem nada a esconder, mas é bom lembrar que todo livro possui parágrafos de difícil interpretação.


Em Corações Solitários, Rubem Fonseca apresenta o drama de um ex-repórter policial que inicia uma nova fase de vida profissional no jornal Mulher onde passa a ter duas atribuições: responder as cartas das leitoras e escrever as fotonovelas. No entanto em Mulher todos os escritores devem usar pseudônimos femininos, o que intriga nosso narrador-personagem. Após pequenas discussões (e persuasões, é claro) decide-se pelo uso no codinome Nathanael Lessa para responder as cartas que são inventadas pelo próprio narrador-personagem e Clarice Simone para assinar as fotonovelas.

Apelidos criados para homenagear Nathanael West, autor de Miss Corações Solitários, Ivan Lessa, jornalista e cronista brasileiro e um dos fundadores de O Pasquim, Clarice Lispector e filósofa francesa Simone de Beauvoir. Das quatro personalidades, destacamos Nathanael West pelo desenrolar da narrativa bastante similar ao conto de Rubem Fonseca.

Homenagens a parte, ressaltamos o papel do Dr. Nathanael Lessa em responder as supostas cartas de leitoras da classe C enviadas ao jornal Mulher. Histórias que ele mesmo inventara e respondia, com a anuência do Peçanha (Editor do Jornal), com certo teor de otimismo para as vidas das leitoras. Mas que leitoras? Situações criadas e personagem saídos dos devaneios de um ex-repórter policial que poderiam ser verdades, poderiam ser histórias de um povo sofrido, de um povo que clama por um ombro para chorar as amarguras da vida.

São fatos inventados por um personagem criado. Mais uma máscara em uma tentativa de mostrar à sociedade o realmente existe. São relatos como o da virgem louca que não sabe se cede ao namorado ou não. Quantas mulheres não sofrem o mesmo dilema, neste momento? Pressionadas por seus namorados, amigos ou colegas a praticarem o ato sexual sem o envolvimento emocional que dizemos ser tão importante e depois se escondem envergonhadas dos atos que foram obrigadas a fazer.

Quantas viúvas existem como a senhora deixada pelo marido e com pensão pequena, tendo que viver os dramas diários? Pessoas que possuem medos de sua própria existência. Nosso personagem Nathanael Lessa criou as cartas, mas não inventou os dramas.

Já a Clarice Simone, outro codinome do nosso narrador-personagem, é responsável pelo roteiro das fotonovelas entregues a Mônica Tutsi (o fotografo chamado Agnaldo). A primeira história nos apresenta o drama de Roberto e Betty, noivos e pretendem se casar. Influenciado pelo seu amigo Tiago, o noivo procura a casa da “Superputa” Betatron para tirar a sua castidade. Descobre, então, que Betatron é na verdade sua noiva Betty. Quem é a verdadeira? Betty que se esconde na pele de Betatron ou esta que deseja viver um vida pura na face de Betty?

São linhas como essas que despertam em nossa mente a dúvida: Queremos a chance de viver uma vida diferente da nossa? Escondemos-nos em codinomes, em histórias inventadas?

Lembro do filme Substitutos, estrelado por Bruce Willis. Na trama, ambientada em 2054, noventa e tantos porcento da humanidade trocou sua existência diária, de carne-e-osso, por androides substitutos da Virtual Self. No melhor estilo Matrix, os usuários podem sentar-se em confortáveis poltronas de conexão e projetar suas consciências em bonecos perfeitos.

A oportunidade de estar em um corpo completamente diferente do seu está devidamente pesquisada e registrada hoje em dia. O que é Second Life se não exatamente isso? Poder deixar o seu corpo para trás e embarcar em aventuras e situações que você não viveria de outra forma? Mas no mundo de Substitutos a opção parece meramente estética e sexual. Flerta-se usando um corpo do sexo oposto, praticam-se esportes radicais com mais frequência ou situações de risco são abraçadas sem medo... mas é só. Basicamente, as pessoas têm os mesmos empregos enfadonhos e a sociedade opera da mesma forma - só que todos são bonitos como Barbies e Kens.

É o que Rubem Fonseca apresenta em seu conto: Uma ironia exemplar nos mostra as facetas da sociedade escondida por rostos desconhecidos do Nathanael Lessa, Clarice Simone, Mônica Tutsi, Sandra Marina ou Elisa Gabriela. Local em que o autor não sabe para quem escreve e quem lê desconhece o autor.

Motivo que leva a crer que a vida passa a ser uma criação ficcional do autor, mas mesmo assim retrata a realidade. Imagem de uma sociedade que se esconde em máscaras para cada ocasião. Todos nós possuímos a máscara de Betatron: Puros na sociedade, corrompidos em nosso íntimo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

"Ensaio sobre a Cegueira"



O livro do consagrado autor Jose Saramago levou-me a profundos pensamentos sobre o rumo que a humanidade está tomando. Não pude deixar de fazer analogias e associações entre o nosso estilo de vida e a ficção tão bem elaborada.

Aliás, o ano de 2009 e o inicio de 2010 foi marcado por estas obras que nos convidam a mudança. Vi Avatar e pensei: "Quero ser um alienigena azul, integrado com a natureza e com os outros seres". Acredito que são obras assim que valem a pena...

Mas, voltando a "cegueira"

Quem somos nós? Somo cegos que enxergam? Acho que sim.... Nossa visão alcança somente aquilo que queremos ver e nem sempre conseguimos identificar a verdade. "Ensaio sobre a Cegueira" mostra a natureza humana, a verdadeira. Mostra do que somos capazes para sobrevivência, o quanto podemos nos igualar aos animais (se é que já não estamos no mesmo nível). Uma história de amor? Acho que não... solidariedade e força, talvez!

Um livro que nos faz pensar sobre as atitudes, sobre a moral e sobre nossos valores. Enfim: não tenho muitas palavras para expressar os pensamentos que ocoam em minha mente, mas tenho forças para indicar o livro... Leiam!!! Não tem como se arrepender dos momentos que passarão ao lado dos nossos heróis sem nome.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Rapaz.... o que é escrita?

Para Cagliari (2004) a escrita terá como objetivo primordial permitir o processo da leitura e essa por sua vez é a decodificação do que foi escrito pelo escritor, além de permitir a reconstrução da coerência construída por ele.


Segundo Kato (1987) a escrita é uma atividade de comunicação verbal e, como tal, passível de ser analisada sob o mesmo tratamento funcionalista dado aos estudos da fala, mas o fato é que a escrita está presente em todos os momentos de nossas vidas, quando andamos na rua, no metrô, no trem, no carro...

A existência de sociedades ágrafas está na história, hoje quase não conhecemos grupos de pessoas em que não exista um registro escrito da fala, uma codificação dos sons. Barré-de-Miniac (apud KOCK & ELIAS, 2009, p. 31) afirma que a escrita deixou de domínio de classes superiores, e a sua prática está generalizada tornando-se prática na vida pessoal, acadêmica, profissional e doméstica.

Sabemos que a motivação da escrita é a sua própria razão de ser e a sua decifração é apenas um aspecto mecânico para o funcionamento, ou seja, a leitura não pode ser apenas um ato de decifra, pois não agregaria os significados do texto. Sendo apenas um processo de decodificação, a leitura ignora os aspectos semânticos e pragmáticos, e por isso obriga o leitor a englobar todos os aspectos socioculturais e históricos em que o escritor se baseou quando produziu o texto.

Nessa concepção, Kock e Elias (2009), apresentam focos de interação da escrita. Primeiramente podemos associar uma concepção onde o importante na escrita é a própria língua o que ocasiona que o sujeito é predeterminado pelo sistema e passa a ser um simples produto da codificação da fala. Assim, para que haja escrita e leitura é necessário somente o conhecimento dos códigos utilizados, ou seja, o entendimento permanece na linearidade.

A segunda concepção apresentada pelas autoras é que a escrita estaria preocupada com o escritor, o sujeito psicológico, individual, dono e controlador de sua vontade e de suas ações. A escrita passaria a ser uma atividade na qual o produtor expressa seus pensamentos sem considerar as interações possíveis com o leitor.

E por fim a escrita permitira a interação texto-escritor-leitor, o que parece ser o mais razoável, na qual existe um processo interacional e dialógica entre o que escreve e o que ler tornando ambos em atores sociais, sujeitos ativos que constroem e são construídos pelo texto.

Aquele escreve, então, deve levar em consideração vários aspectos antes de iniciar a produção:

1. Conhecimento sobre os componentes que estarão presentes na situação comunicativa;

2. Trabalho sistêmico com as ideias para que tema em questão tenha continuidade; balanceamento das informações no texto

3. Revisão do que foi escrito.

O primeiro aspecto diz respeito à ativação do conhecimento do escritor para iniciar o processo de escrever, exigindo a interação com os componentes ortográficos, gramaticais e lexicais de sua língua que é adquirido durante as experiências e práticas comunicativas, além da as informações que possuímos acerca do mundo em nossa memória e supomos que tais dados são inerentes ao leitor também. Assim como o conhecimento de textos, modelos de práticas comunicativas sempre levando em conta a composição, conteúdo, estilo e função.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

COMPLEMENTO NOMINAL versus ADJUNTO ADNOMINAL

Amigos, hoje recebi a seguinte pergunta: Como diferenciar complemento nominal (CN) do adjunto adnominal (AA)?

Parece tarefa simples, mas na prática pode complicar um pouco.... vamos navegar pelos conceitos:

COMPLEMENTO NOMINAL: termo que, precedido de preposição, completa o sentido de um substantivo, adjetivo ou advérbio. Exerce para o nome a mesma função que o complemento verbal desempenha para o verbo. Veja os exemplos:

Concesionárias intensificam a venda de carros usados.

No caso acima o termo "de carros usados" é o complemento nominal de "a venda". Transforme o substantivo "venda" em verbo e veja como ficou a sentença:

Vender carros usados é o novo negócio das concessionárias

Vender = verbo transitivo direto
Carros usados = objeto direto (complemento verbal)

O CN pode ser representado por um substantivo ou expressão substantivada, pronome, numeral ou oação:

Os adversários perderam o respeito pela seleção
Essa notícia foi desconcertante a todos
Tal atitude foi benéfica aos dois
Correu a notícia de que Zumbi estava vivo

Lembrando que se o pronome for átono, o complemento nominal não virá precedido de preposição.

Foi-lhes favorável.

ADJUNTO ADNOMINAL: termo que especifica ou delimita o significado de um subtantivo. Por exemplo: Festa gastronômica agita Búzios.

O AA pode ser expresso por um adjetivo, locução adjetiva, artgo, pronome adjetivo, numeral ou oração:

Catedral de Curitiba vai ter vigilância eletrônica
Bolsas de estudo para cursos a distância
A genética supera os preconceitos
A tristeza tem seus significados
Um balão pode voar até sete mil metros de altura
As florestas acreana, que concentram uma das maiores quantidades de recursos biológicos do planeta, estão sendo alvos da biopirataria internacional.

Bom, mas e ae?? Como saber se estou diante de um CN ou AA?

1) Se a locução vier associada a adjetivo ou a advérbio, ela será sempre complemento nominal, uma vez que o adjunto só modifica o substantivo:

Sua pesqisa é útil a todos

Útil = adjetivo
A todos = complemento nominal

2) Se a locução vier associada a um substantivo será adjunto adnominal quando o referente for concreto ou se se essa locução puder ser transformada em adjetivo:

Vaso de porcelana = substantivo concreto + adjunto adnominal
Livro de geografia = substantivo concreto + adjunto adnominal

3) Se a locução vier associada a um substantivo será complemento nominal, se for o pacienta da ação ou adjunto adnominal se indicar o agente da ação expressa pelo nome:

Amor de pai = neste caso o termo "de pai" é adjunto adnominal pois "pai" é agente de amar (o pai ama; pai = sujeito).

Amor ao pai = a expressão "ao pai" exerce a função sintática de complemento nominal, haja vista "pai" ser o paciente da ação (amo o pai; pai = objeto direto).


Espero ter clareado a mente em relação ao assunto... Em nova oportunidade faremos alguns exercicios sobre a matéria em questão.

Beijos e abraços
Fridi.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ALGUNS ASPECTOS FONOLÓGICOS NA PRODUÇÃO DA ESCRITA

Cada língua dispõe de um número determinado de unidades fônicas cuja função é determinar a diferença de significado de uma palavra em relação a outra (MUSSALIM & BENTES, 2006). Por exemplo, a palavra [‘kasa] “caça” diferencia-se de [‘kaza] “casa” pelo uso de uma fricativa alveolar surda [s] em “caça” e uma sonora [z] em “casa”.


Para Silva (2009) o fonema deve ser tratado como uma unidade mínima de análise que tem um papel contrastivo e concreto na investigação linguística, ou seja, é a menor unidade fonológica da língua de que se trata.

Nos estudos de Trubetzkoy (apud MUSSALIM & BENTES, 2006) a “fonética procura descobrir o que de fato se pronuncia ao falar uma língua e a fonologia o que se crê pronunciar, considerando o fonema como a imagem acústico-motora mais simples e significativa de uma língua”. A questão é que toda língua possui um número limite de sons que tem como função primordial diferenciar os significados de uma palavra. Tais sons ocorrem em uma sequência linear e combinam-se entre si em conformidade com as regras fonológicas de cada língua.

A relação entre letras e sons dado pelo princípio acrofônico, segundo o qual no inicio de cada letra encontra-se o som que a letra (CAGLIRARI, 1999), representa a chave da decifração das letras do alfabeto, mas indica somente um dos possíveis sons.

E como nem sempre é fácil identificar um fonema e grafar a palavra de maneira correta pode-se utilizar de alguns testes, a saber:

  • OPOSIÇÃO: Ao substituir dois fones ocorrer em mudança lexical, então poderemos considerar que os dois fines sejam fonemas. Lembrando que é necessário que a unidades em questão sejam pares mínimos, ou seja, apresentem itens lexicais idênticos contendo somente uma única diferença em um elemento da sequência.
[m] em mar e [p] em par

[b] em bar e [m] em mar

[f] em fala e [v] em vala

  • DISTRIBUIÇÃO COMPLEMENTAR: Os fonemas de uma língua permitem diferenciar o significado das palavras, daí que realizações fonéticas diferentes de um mesmo fonema não podem ocorrer em contraste, essas diferentes realizações são conhecidas como alofones.  As autoras Mussaim e Bentes (2009) explicam que o principal critério para agrupar os alofones como variantes de um fonema é a distribuição complementar que estabelece que quando dois fones ocorrerem em ambientes mutuamente exclusivos, eles poderão ser considerados alofones de um mesmo fonema.  Para compreender a distribuição complementar é importante lembrar que os sons estão fadados a serem afetados pelo contexto lingüístico, ou seja, podem sofrer influência dos efeitos dos sons vizinhos, da posição de ocorrência em unidades maiores, do efeito de elementos supra-segmentais ou de informações de índole lexical e gramatical.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Análise do conto: O PENTÁGONO DE HAHN

O Pentágono de Hahn (Nove, novena. Osman Lins) apresenta-nos uma nova maneira de narrativas onde várias vozes, várias histórias, interagem em uma única linha cronológica, mas não assumindo a linearidade habitual com constante mudança de foco narrativo.


Ao ler a obra, nos deparamos com várias reflexões que ecoam em nossa consciência. Vamos ao encontro do amor possível, do amor incompreendido, do amor desejado, do amor sofrido, do amor platônico, do amor proibido, da solidão, do sucesso, do fracasso, da vida, da morte. A vida é um ensaio para a morte ou a morte é um preparo para a vida?

As vidas dos personagens nos demonstram os conflitos presentes na sociedade, os devaneios da mente humana e as paixões não conhecidas. Buscam saídas, soluções, percepções sobre o cosmo, sobre a origem e o porquê do fim. Apresentam o início, mas não o fim. As narrativas não apresentam um desfecho, bom ou ruim, apenas demonstram que a os conflitos, angústias da vida continuam no interior de cada ser.

O conto foi estruturado em cinco micronarrativas independentes emitidas por cinco narradores que se revezam em sete turnos durante o texto. Cada narrador, representado por símbolos, aparece seis vezes ao longo da narrativa, demonstrando o caráter geométrico e equilibrado do conto. São os narradores: O menino; o celibatário; a anciã; a moça e o homem fracassado.

A narrativa é aberta pela descrição do espetáculo de Hahn, uma elefanta, narrado pelo menino e pelo celibatário, ora separadamente ora em conjunto. Interessante o uso do símbolo epifânico da elefanta no conto percorrendo todo o texto com o intuito de revelar para cada personagem a sua mediocridade perante a vida.

Diz a mitologia Hindu que o Deus Genasha, com seu corpo de homem e cabeça de elefante, representava a sabedoria e o intelecto e que era símbolo das representações lógicas. Seus quatros braços são as representações dos atributos do corpo sutil (mente, intelecto, ego e consciência) os quais funcionam em nó. Essa alegoria utilizada pelo autor no conto demonstra a necessidade dos personagens em superar seus limites e objetivar o sentido da vida.

A primeira micronarrativa representa o cotidiano de duas irmãs, idosas e virgens, que cuidam do irmão padre bastante debilitado em sua saúde. Helônia, irmã da narradora, sempre recusa o convide da irmã em ir ver Hahn, mas se apaixona por Nassi Latif, causador dos conflitos entre as duas. Com a partida de Nassi, Helônia cai do profundo desespero e envelhecimento acabando por suicidar-se, e assim, no dia da partida da Elefanta, a irmã narradora enfrenta sozinha a morte do irmão e o suicídio da irmã.

A segunda conta a história de amor censurado entre a moça de vinte anos e Bartolomeu, um adolescente de doze anos. O primeiro encontro dos dois ocorre quando veem a Elefanta pela primeira vez e a separação no momento de sua partida.

Em seguida a narrativa do homem fracassado que retorna, por um fim de semana, à cidade natal em uma busca pelo seu passado, suas origens, porém percebe que se equivocou que essa ida ao passado seria um ideal para a sua vida, buscando na escrita o preenchimento da lacuna de suas carências. Tanto na chegado à cidade natal quanto a sua partida depara-se com Hahn e passa a refletir sobre o presente.

A narração do celibatário é uma fotografia da solidão e como a sua fascinação pela elefanta o move para romper o seu estado solitário e as frustrações de nunca conseguir. E por último a história do incompreendido menino pela família e perseguido pelos companheiros que se apaixona por Adélia, mulher casada.

Este menino passa por dois processos durante a narrativa. A transformação de menino para homem e a sua trajetória no objeto criador, representado pela admiração do narrador pelo papagaio utilizado por um empresário para anunciar o Pastoril e por fim provacando-lhe o desejo de fazer algo semelhante.

O jogo narrativo do conto estabelece uma dinâmica entre os eixos temáticos que ora são comuns e em outros momentos isolados. Assim, a presença de Hahn amarra as narrativas em uma única linha representando o passado, presente e futuro (como o símbolo desenhado na testa de Genesha) e as frustrações que os personagens vivem durante esse continuum do tempo. Atrelados a essa fronteira os temas solidão, transmutação, erotismo, criação e amor se fazem presentes nas narrativas.

Essa justaposição dos temas e oposição entre os modos de narrar enfatizam o modo não linear da narrativa e justificam o nome dado ao conto. O pentágono (um poligno de cinco lados) é representado pelos diferentes pontos de vista dos narradores aglutinados em um único eixo, a vida (Hahn).

Para Entender o Texo

Amigos!

Hoje pela manhã tive uma longa conversa com uma amiga de trabalho sobre as provas de interpretação de texto para concurso. É sei que são complicadas, mas não impossíveis.

Sugiro que estudem pelo livro PARA ENTENDER O TEXTO, de Platão e Fiorin, da editora Ática. Super completo, com várias lições e exemplos os autores demonstram todo o processo de metalinguagem, de estrutura narrativa, de coesão e coerência necessários na produção da escrita.




O melhor será juntar um grupo e estudar lição por lição, e sempre com uma gramática ao lado. Afinal temos que compreender as regras de sintaxe e morfologia também.

Beijos e abraços
Bons estudos!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Breve comentário sobre o ensaio "A Literatura contra o Efêmero" de Umberto Eco

Amigos, publiquei o comentário abaixo no site http://www.recantodasletras.com.br e posto aqui também. Eu particularmente adorei as teorias de Umberto Eco.

O que é a literatura? Qual o seu propósito em nossas vidas? Por quê nos identificamos tantos com os personagens que fazem/fizeram parte de nossa existência? São perguntas reflexivas como essas que Umberto Eco provoca em nossos mais íntimos pensamentos ao ler seu ensaio.


Quem foi Odisseu? Será que minha vida é uma odisséia? Don Juan; Don Quijote, Romeu, Julieta e diversos outros personagens ganharam vida por intermédio de palavras escritas ao longo da história da humanidade. A literatura deve ser momentânea ou duradoura? Deve ser um ato criativo ou uma lição para toda a vida?

O ensaio A literatura contra o efêmero apresenta uma discussão, ou melhor, uma reflexão sobre o atributo imutável, imaterial da obra literária, tanto quanto os dogmas religiosos que influenciam nossas vidas sociais e mantêm nosso patrimônio coletivo, ou como define a psicanálise, nossos arquétipos.

Vivemos em um paradoxo que apresenta dois tipos de conquistas literárias: a eterna e a imediata. Esta última, tão presente entre nossos jovens, é uma literatura virtual que transita on-line entre computadores de todo o mundo, criando personagens ou até mesmo alterando a ‘vida’ dos já criados. Quem nunca pesou em alterar a história de A bela adormecida para que não sofresse tanto? Essa é a era do hipertexto que, conforme apresenta Umberto Eco, nos permite viajar dentro da história e nos tornamos co-criador das narrações, alterando-as até o infinito de nossa imaginação.

Mas não é essa liberdade de expressão criativa que o autor defende em seu ensaio, e sim a luta da literatura contra a momentaneidade desse novo universo. A essência imutável da narrativa provoca no leitor desejos muitas vezes experimentados somente na ação da leitura, convive com sua ansiedade, medo, espasmo, excitação e amor. Amor pelo desconhecido mundo que adentramos quando se aprecia uma obra. Se a obra escreve o autor, então nós somos lidos por ela quando estamos na figura do leitor.

Os personagens definem nosso comportamento, pois queremos ser estes seres vivos em um mundo tão distante e tão perto. Desejamos jogar o jogo proposto pela obra e adjetivamos vários seres para nosso mundo. Sofremos de complexo de Édipo, possuímos um comportamento quixotesco, um ciúmes otelano, uma dúvida hamletiana ou nos sentimos um patinho feio.

E isso tudo é errado? Complexo? Equivocado? De forma alguma. Para Umberto Eco o leitor deve aceitar o destino dos personagens e compreender toda a cosmogonia por trás do mundo narrativo. Ao ler a obra, identificamos a nossa própria vida, a nossa existência e aprendemos a experimentar as impossibilidades de alterar a estrada que percorremos, e por isso que não devemos alterar a história, e sim aprender com ela. Lembremos sempre que a literatura é um exercício de criatividade e liberdade, e principalmente uma lição para a vida e para a morte.


OBS: O ensaio "A literatura contra o efêmero" de Umberto Eco foi publicada pela Folha de São Paulo, caderno "Mais", de 18.02.2001.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Distribuição Complementar.

Ontem eu tive o prazer de conhecer o princípio da fonologia Distribuição Complementar da melhor forma que um estudante pode imaginar.   Em uma prova!

É sério! A quarta questão da minha prova de prática de análise da linguagem II perguntou qual o princípio da fonologia que explica o fato pelo o qual as crianças, quando no estágio de alfabetização, escrevem "medeco" e não "médico". É... ontem eu não sabia, mas hoje eu sei.

A distribuição complementar é o principal critério para agrupar os alofones como variantes de um fonema. Ahh, mas o que é alofone? Alofones são as diferentes realizações fonéticas de um fonema, ou melhor dizendo, são as variações fonéticas.

É um conceito maravilhoso, mas que irei detalhar em outro momento... ainda estou passado com o fato de eu não ter sido devidamente apresentado a este princípio tão simples antes do dia em que tive que demonstrar como ele funciona.

Mas para quem é super curioso e não vai aguentar esperar, leia o livro Introdução a Linguistica 1: domínios e fronteiras, dos organizadores Fernanda Mussalim e Anna Christina Bentes. O capítulo 4 é dedicado aos estudos da fonologia e apresenta vários princípios e conceitos interessantes.

sábado, 24 de outubro de 2009

O Ser Consciente

"As realizações externas podem acalmar as ansiedades do coração, momentaneamente, não, porém, erradicá-las, razão por que o triunfo externo não apazigua interiormente"

Esta é uma obra da série psicológica do espírito Joanna de Ângelis que faz parte da trilogia iniciada com o O Homem Integral e Plenitude.
São livros que estudam a psique humana e os fatores que constituem o Ser em todas as esferas da sociedade, do sentimento e do amor. Livro que começo a ler este mês com muita ansiedade para descobrir os mistérios do autoconhecimento.
Bom, esta foi a sugestão de livro de hoje.

Um início

Bom....

Amigos, iniciamos mais um dia, mais uma semana, mais um mês, mais um ano... mais uma vida! E por que não mais um blog?

Relutei um pouco em criar um blog, ficava imaginando qual o sentido de fazer isso, mas depois de várias pesquisas na internet e descobrir muitas coisas sem sentido, sem bom senso... É resolvi criar um para compartilhar pensamentos sobre literatura, filosofia e linguistica.

Para quem gosta, como eu, seja bem vindo!

Odisseia: uma questão homérica

A Odisseia de Homero é um convite à busca do nosso interior, da nossa descida ao inferno e refazimento moral apresentando seus personagens em volto de uma viagem fantástica em mundo maravilhoso para retornar a casa.
Longe de ser somente uma ficção narrativa, esta obra é um relato sobre a vida na Grécia, uma descrição detalhada dos costumes cotidianos daquele povo, que foi um dia, os mais sábios existentes.
Escrito em um dialeto chamado Linear B, a Odisseia abriu as portas para o conhecimento, ou melhor, o autoconhecimento, a superação. Seu personagem protagonista, Odisseu, apresenta as características de um herói que supera seus limites em busca do objetivo. Representa toda a vontade de atingir uma meta, de seguir os instintos e superar os obstáculos.
A Odisseia descreve verso após verso, como Odisseu (que sabia exatamente onde queria chegar), exercitou e colocou à prova seus limites, suas relações interpessoais e suas habilidades. Ele não era um gestor empresarial, mas como tal, comandava uma equipe. Mesmo os “não líderes” na profissão, em algum lugar o são. Responsáveis de alguma forma por alguém ou alguma coisa é certo que, em determinados momentos defeitos e qualidades serão confrontados e postos à prova.
Mas não eram somente heróis que existiam na Odisseia. Havia heroínas, como Penélope. Quantas mulheres não gostariam de ser iguais a ela? Bonita, fiel, firme e inteligente. Penélope foi um ícone na história, que enfrentou todos na esperança de seu marido retornar de uma guerra acabada há dez anos. Não podemos nos esquecer de Areta, rainha dos Feácios, que detinha o poder da pacificação e influência nas decisões do reino. O mudo feminino de Homero versa sobre a figura honrada da mulher.
De um ser humano capaz de dar a vida a uma geração de heróis, de guerreiros.
Neste pequeno texto, tentamos convidar o leitor a descobri o Odisseu e a Penélope que existe dentro de cada um. Revelarmo-nos como pessoas fortes e objetivas, destemidas e crentes em nossa figura como Deuses, como senhores do nosso destino.